O dia em que recebi o ordenado

E o que fiz nas primeiras horas

Hoje foi dia de “São Receber”, ou seja, recebi o ordenado. E antes de pensar em jantares fora, compras ou “vou ver o que sobra no fim do mês”, fiz uma coisa que já se tornou rotina: investi. Não foi impulsivo, nem foi baseado num palpite sobre o mercado. Foi baseado numa estratégia simples e à prova de emoções chamada DCA — Dollar Cost Averaging (em português, algo como “custo médio ponderado” ou “investimento periódico”). 

Se ainda não conheces este conceito, ou se já ouviste falar, mas nunca percebeste bem porque é que tanta gente o aplica, este artigo é para ti.

 

O problema que o DCA resolve

Quase toda a gente que começa a investir cai na mesma armadilha mental: “vou esperar pelo melhor momento para entrar.”

O problema é que ninguém sabe quando é o melhor momento. Nem os profissionais. Tentar prever o “timing perfeito” do mercado é uma das formas mais eficazes de nunca chegar a investir… ficamos à espera de uma queda, depois com medo de que caia mais, depois o mercado sobe e sentimo-nos como se tivéssemos perdido o comboio. É um ciclo de paralisia.

O DCA elimina essa decisão da equação.

 

Como funciona, na prática

A ideia é simples: em vez de investir um valor grande de uma só vez a tentar acertar no momento ideal, investes um valor fixo, em intervalos regulares, por exemplo, todos os meses, no dia em que recebes o ordenado.

Sempre o mesmo dia. Sempre um valor definido. Sem exceções, sem “vou esperar mais um bocadinho para ver como o mercado se comporta”.

Isto tem duas consequências poderosas:

    1. Quando os preços estão baixos, o teu dinheiro compra mais unidades.
    2. Quando os preços estão altos, compra menos.

 

Com o tempo, isto suaviza o preço médio a que compraste os teus ativos, reduzindo o impacto da volatilidade do mercado e, mais importante ainda, reduz o impacto das tuas próprias emoções nas decisões de investimento.

 

O meu exemplo de hoje

Assim que o ordenado caiu, distribuí o valor destinado a investimento por três tipos de ativos diferentes, cada um com um papel distinto na carteira:

P2P Lending (Maclerar: 200): empréstimos a particulares ou empresas através de plataformas de peer-to-peer, que costumam gerar um rendimento mensal mais previsível. Funciona quase como um “salário extra” que entra todos os meses.

 

Bitcoin (Robinhood: 100,40): o ativo mais volátil dos três, mas também aquele com o maior potencial de valorização assimétrica a longo prazo. Aqui, o DCA é especialmente útil: em vez de tentar adivinhar se o Bitcoin está “caro” ou “barato” num determinado dia, simplesmente compro sempre o mesmo valor, todos os meses.

 

ETF FTSE (XTB: 1.310,56): um fundo indexado que replica o desempenho de um cabaz alargado de empresas. Em vez de escolher ações individuais (e correr o risco de escolher mal), este ETF dá exposição instantânea a centenas de empresas com uma única compra. É a definição de diversificação simples e eficiente.

Três ativos, três perfis de risco diferentes, um único princípio em comum: entram na carteira de forma automática e disciplinada, todos os meses.

 

Porque é que isto realmente funciona

O maior inimigo do investidor não é o mercado: é a sua própria cabeça. Comprar quando tudo está a subir (por euforia) e vender quando tudo está a cair (por pânico) é o padrão mais comum de destruição de riqueza a longo prazo.

O DCA funciona precisamente porque retira essa decisão emocional da equação. Não estás a decidir “hoje é bom dia para comprar?”, porque já decidiste isso há muito tempo, quando definiste a tua estratégia. Todos os meses, sem pensar duas vezes, o dinheiro é investido.

Não é sobre ter sorte no timing. É sobre ter consistência ao longo do tempo; e é essa consistência, mais do que qualquer palpite de curto prazo, que costuma fazer a diferença numa carteira construída ao longo de anos.

 

Para quem está a começar

Se ainda não tens uma estratégia de investimento definida, o DCA é provavelmente o ponto de partida mais simples e mais robusto que existe:

    • Define um valor que consegues investir todos os meses sem comprometer as tuas contas;

    • Escolhe o dia (o dia do ordenado costuma funcionar bem, porque cria um hábito natural);

    • Escolhe os ativos que se alinham com o teu perfil de risco e objetivos;

    • E depois… repete. Todos os meses. Sem exceções.

Não precisas de ser especialista em mercados financeiros. Precisas de ser disciplinado.

 

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Nota: este artigo, assim como este blog, traduz apenas a minha jornada pessoal a caminho do fire sendo meramente informativo, pelo que não constitui aconselhamento financeiro. Antes de tomar decisões de investimento, considera falar com um profissional certificado e avaliar sempre o teu próprio perfil de risco

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