A importância da Literacia Financeira

Só 13% dos portugueses sabe responder a perguntas básicas sobre dinheiro. E agora?

O Banco de Portugal publicou esta semana um retrato pouco animador: apenas 13% dos portugueses consegue responder corretamente às sete questões que avaliam os conhecimentos financeiros essenciais; sobretudo devido a dificuldades no cálculo de juros e na compreensão da relação entre risco e diversificação.

O dado é tanto mais preocupante quanto 63% dos portugueses acreditam ter conhecimentos sólidos sobre finanças, mas quando confrontados com perguntas concretas, a realidade é bem diferente. Sabemos que não sabemos? Não. E esse é o problema mais sério.

No indicador global de literacia financeira da OCDE, Portugal está acima da média nos comportamentos e nas atitudes financeiras, mas claramente abaixo no conhecimento, com uma diferença de 25 pontos percentuais em relação à Alemanha. Somos prudentes, mas não sabemos bem porquê. Poupamos por instinto, não por estratégia.



E os jovens? 74% dos alunos sem competências básicas acredita que sabe gerir o seu dinheiro, o que aumenta o risco de decisões erradas. Excesso de confiança com défice de conhecimento: uma combinação perigosa.

“Apenas 54,8% dos portugueses poupou no ano anterior ao do inquérito e, desse grupo, quase 60% guardou o dinheiro na conta à ordem ou em numerário.”

É precisamente aqui que páginas como esta e a página no instagram @direito_ao_fire fazem a diferença. Num país onde apenas 10% dos consumidores afirma ter tido uma boa educação financeira na escola (metade da média europeia) o papel da literacia financeira nas redes sociais deixou de ser um complemento para se tornar uma necessidade. Falar de orçamento pessoal, de poupança, de independência financeira e de investimento em linguagem acessível é, hoje, um serviço público que o Estado ainda não consegue prestar de forma eficaz.

Uma melhoria de um ponto percentual nos níveis de literacia financeira está associada a uma redução de 2,8 pontos percentuais no incumprimento dos empréstimos das famílias. Os números provam que isto não é um tema de nicho: é economia doméstica, é qualidade de vida, é liberdade.

O conhecimento financeiro não devia ser um privilégio de quem tem acesso a determinadas escolas ou famílias. Devia ser de todos. E enquanto o sistema não chega lá, que cheguem as comunidades (como a nossa) que já perceberam isso!

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